queimando a língua

Pois é. Odeio ter de admitir isso, mas hoje queimei a língua: auto-ajuda ajuda mesmo. Quero dizer, não é toda a hora e nem qualquer auto-ajuda. Mas hoje estava na minha super fossa mal-amada, quando paro na Saraiva e vejo um livro me chamando: "Porque os homens amam as mulheres poderosas". Parei, e inocentemente abri o tal do livro, sem saber o que esperar, exatamente. Quase devorei o livro inteirinho ali, em pé! Quanta coisa útil! Quantas coisas que, no fundo, eu já sabia mas não dava importância! Tipo "não fique sempre disponivel", "ame voce mesma", "nao atenda o telefone sempre que ele ligar", "não dependa emocionalmente dele, faça ele depender de voce", "ponha você mesma em primeiro lugar: o seu ritmo, as suas vontades, as suas prioridades".

E, God! Como isso veio em boa hora! Podem me chamar do que for. Mas o fato é que esse livro definitivamente mudou a minha vida! Talvez tenha sido só um empurrãozinho de nada para minha mudança completa, mas...
obrigado, livro de auto-ajuda!! :]

auto-persuasão.

É o seguinte: tenho uma teoria pra tudo. E minha teoria da noite é a que segue.

É como se eu estivesse sempre que estar sozinha.
Como se fosse a única condição que me fosse admissível. Como se eu não fosse sobreviver se descobrisse que amo alguém e que é recíproco. Como se não fosse natural para mim.
Há tempos em que desejo ardentemente ter alguém ao meu lado, mas nessas horas sempre aparece algum idiota em quem eu deposito essa vontade de ter alguem, mas na verdade tudo é um processo de amadurecimento que vai durar minha vida toda no qual eu vou ter que estar sozinha pra sempre: ora não querendo ninguém e ficando feliz sozinha, ora querendo alguém e aproveitando esse sofrimento (por causa do idiota no qual eu deposito essa vontade de estar acompanhada) e amadurecendo. Sempre amadurecendo, sempre sozinha. Quando desencano do cara, fico aliviada porque estao chegando os dias em que estarei satisfeita em estar sozinha. E enquanto isso, eu aproveito minha onda de estar desencanada para me preparar para o momento de amadurecimento, que é querer estar com alguém mas esse alguém nunca vai chegar. Então eu sofro, e amadureço, porque amadurecimento é um processo pelo qual deve-se passar sozinha.

Eu odeio e amo não ter ninguém. Mas hoje, particularmente hoje, eu gostaria muito de saber que ele existe. Mas não existe. Então tudo o que tenho que fazer é sentar e relaxar, e perceber que isso tudo faz parte do processo de amadurecimento pessoal e espiritual: libertar-se do desejo de ter alguém, porque tem alguém significa afastar-se de voce mesmo. Ou seja, mergulhar em si mesmo e fingir que se é uma pessoa espitirualmente desenvolvida e nunca, jamais admitir como voce esta desesperadamente solitária.

Não tenho tempo para outro alguém, no fim das contas. Nunca daria certo.

Uma perguntinha do fim de noite.

How can two people spend their times ONLY thinking about each other? Even worse, how can two people spend their time calling or having fun or fighting with each other? Isn't the world crowded enough so they can find someone to replace the other quickly? And, if one of them find, how can he or she deny this opportunity just to be with someone who stinks sometimes, who burps and farts and its NOT the person with whom you're going to live hapily ever after? I mean, what consciously man, with all women in the world, could EVER choose to spend his time with ME? And calling me, and being faithfull, and buying gifts, even thinking or caring about me?

This is fucking impossible.

Thanks for reading, guys. Or whoever is out there.

Mal-amada, a seu dispor.

Entre pensar que acredito no amor mas não quero e pensar que não acredito no amor mas quero.


Desiludida, decepcionada, achando que o amor não vale a pena. Achando que ser gentil com os outros não vale a pena. Uma perfeita mal-amada. E idiota.

Machucando entes queridos pela minha impaciência, irritabilidade, pela minha mal-amadice. É isso o que tenho feito.

Mãe, eu sei que as coisas que eu digo a você nunca se apagam: elas deixam buracos que não se cobre mais. Mas eu quero que voce saiba que, sempre que me lembro da minha mal-amadice, justo a pessoa que mais amo está do meu lado e é machucada, sem sequer saber por que. Me desculpe.

Esperemos que passe, antes que magoe mais alguém. Precisando aceitar que, quando o cara não está interessado em você, ele não está. E pronto. Não adianta ser grosseira com o mundo todo porque ele nao vai gostar de voce a partir de hoje. Ele simplesmente não está a fim de receber todo o seu amor e todo o seu carinho e sua atenção. Aceite: eles foram desperdiçados. Pare de gastar, feche a torneira enquanto é tempo. Enough.

Desculpem pelo post. Se nao dissesse tudo isso a alguém, ia explodir mais ainda de mal-amadice.

Só pra tirar a poeira

Sim. Eu estou apaixonada.
E como o blog é meu eu falo do que eu sinto. :D E voces, meus queridos leitores esporádicos, se voltam aqui de três em três anos, são quase mais assíduos do que eu.

Porque isso acontece?

Porque de repente a melhor balada, a novidade mais quentinha, o dia chuvoso mais triste, o bolo de chocolate, o morango com leite condensado, o filme de terror, o filme de comédia romântica, o filme dramalhão, o filme cult, o cachorrinho abandonado na rua, o prédio alto com janelinhas espelhadas, porque de repente TUDO faz voce lembrar de uma pessoa só?

Porque quando você sabe que não vai dar, que a chance de dar é ridícula, isso só serve pra fazer voce acreditar MAIS?

E porque justamente essa pessoa é a única que não te diz que voce é linda, que voce é simpática, divertida, tudo de bom? Porque quando seus amigos te dizem essas coisas todas ELE nada faz pra provar pra voce que, sim, voce é tudo isso?

Porque ele sempre tem coisas lindas e gestos fofos com todas as outras? Porque a você sempre resta o lado "foda-se" da vida dele? Porque ele simplesmente não se importa com o que voce sente, fala, pensa?
Sempre nesses momentos voce vai na balada e trezentos gatos vêm falar com voce e te dizer que voce é a garota mais bonita da festa, a mais dahora, a mais etc. E ele, diz que encontrou uma garota interessante num lugar mais legal. PORQUEE?

Qual é o problema comigo? O que falta em mim?

Sou só eu que penso e sinto isso quando me apaixono?

Eu SEI que mereço ser bem tratada. Ser abraçada. Ser coberta de beijos e de elogios quando estiver na TPM. Sei que mereço receber mensagens misteriosas de madrugada. Sei que mereço ser lembrada na balada cheia de rivais. Sei que mereço ser ouvida e estou disposta a ouvir quando me for pedido. Sei que mereço um bombom num dia qualquer. Um bilhete escondido na bolsa. Um sorriso sem motivo.


Sei que mereço isso.


Então, porque NÃO!?

Caridade por um fio

"- Bom dia, eu gostaria de falar com a responsável pela residência?
- Ela não está (enquanto minha mãe comprimia um riso e continuava a digitar no computador). Quem gostaria de falar?
- Aaaai, aqui é da Casa da criança feliz! Sabe, querida, é que nós estamos ligando pedindo apenas uma pequena colaboração de apenas cinco reais, sabe, querida?
- Acho que a dona da casa já ajuda algumas instituições. (E ajuda mesmo, Lar dos velhinhos, Boldrini entre outras)
- Mas nós estamos pedindo só cinco reais! Eu posso estar contando com a sua ajuda, querida?
- Ah.... não.
- Mas...
- Não, muito obrigada. Boa sorte!"

Na verdade, não sei o que me irrita mais nas atendentes de tele-marketing, as que ligam (sim, um por um) pra todos os números da lista telefônica pedindo quantias que apenas começam razoáveis: suas vozes melosas (aliás, será que é por isso que são quase todas mulheres?), seus lamentos quase miados (é incrível, quase consigo ver a expressão de 'gato do shrek' que elas fazem enquanto discursam longamente sobre a precária estrutura das instituições que representam), seus gerundismos ou sua irritante perseverança, que sinceramente é eficaz em me fazer sentir culpada.

Elas ligam normalmente de manhã, quando, presumem, as donas de casa (talvez nesse único horário que não estão ainda completamente envolvidas em suas pesadas rotinas) estão em casa, fazendo o que quer que seja, e quando não há dona de casa, sempre há aquela empregada meio surda devido ao prolongado uso do aspirador de pó, que diz "aham, sim, a dona da casa não está, acho que sim, não, não sei quando ela volta, não sei" e provavelmente acaba sendo levada por sua desatenção e pela quase malandragem da atendente a aceitar doar algo para o próximo mês.

Francamente, você já ouviu uma atendente dessas em ação? Elas são capazes de segurar os mais pacientes por minutos a fio, descrevendo os objetivos da instituição, a escassez de infra-estrutura e a necessidade constante das crianças, velhinhos, deficientes físicos ou mentais. Não estou dizendo com isso que elas estejam mentindo, só que a estratégia de "sensibilizar para receber a contribuição" é muito... não sei como descrever. Quase capitalista, entendem? É como a mídia de grande circulação, em sua maior parte: sensacionalizam tudo com um objetivo calculado de forma nada parecida com a sensibilidade com que nos falam.

E o mais importante: não aceitam "não" como resposta: inventei um nome para meu 'personagem' a fim de contornar essa cobrança e não ter de ouvir repetidamente o discurso decorado e entonado, quase lamuriando. Eu sou apenas a empregada, a Cacilda, e minha mãe tambem entrou 'na brincadeira': ela é a empregada Jacira. E o mais impressionante é que elas ligam todos os dias, no mesmo horário, ainda que eu tenha afirmado veementemente que a dona da casa está trabalhando até de noite. Não quero acreditar que ela esteja tentando "me pegar", sabem? Eu atender distraidamente o telefone.... e pronto. Lá estou eu sendo cativada a ajudar com uma pequena quantia a necessitada instituição X (estou sendo repetitiva de propósito. Viu como é irritante?).

De uma forma ou de outra, elas vão continuar ligando, e pedindo, e miando, sem que nós possamos fazer muita coisa para evitar. Podemos nos passar por outras pessoas, dizer que não podemos, que estamos de saída. Ainda assim, não há nada que nos proteja de, qualquer dia, sem maiores avisos, ser invadido pelo reconhecível discurso: "Meu nome é fulana... sou da casa da misericórdia..." . Incrível como a apelação começa no nome da instituição. E só termina (se é que termina, ao fim da chamada) até a ligação da manhã seguinte.

(dedicado à minha mãe, que é 'Jacira' pela manhã há mais de uma semana; inspirado pelo post do Antonio Prata)

Os diferentes... se completam.

Estou aqui, caros leitores (ou deveria dizer, caras moscas virtuais) para tratar de um assunto que é particularmente estimulante da minha região supra renal (isso significa que me deixa com muita, muita raiva). Estou falando dele, o temido em qualquer discussão, aquele intruso em nossa consciência que é quase tão incomodo quanto um defeito genético, aquele que juramos não ter, mas temos, de uma forma ou de outra: o preconceito.

Nós, como um povo inegavelmente concebido e desenvolvido quase numa orgia genética, sabemos muito bem que negros não são puramente negros. Isso também vale para os brancos.
Agora, eu PRECISO expressar minha mais absurda indignação quando vejo uma camiseta com as palavras: "100% negro" ou "Sou negro. O Brasil me deve dois milhoes de reais".

CAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALMA LÁ. COMO QUE É?

Antes de mais nada, quero dizer que não, eu não amo os negros. E não amo os brancos. E não amo os japoneses. E não amo os árabes. E não amo os gays. Não! E sabe porque? Porque a sua cor, a sua raça, a sua decendência, sua orientação sexual NÃO determinam em absoluto seu caráter e sua personalidade, e portanto, brancos, negros, gays, whatever, eu NÃO vou gostar de voce porque você é isto ou aquilo. Aliás, acredito piamente que, se mais pessoas pensassem assim, muitos conflitos (armados ou não) seriam evitados. Meu Deus, VIVA A DIFERENÇA!

E apesar de estar com receio de ser mal interpretada, quem foi que disse que EUZINHA, que mal tenho contas a pagar, devo grana pra um cara que nunca vi na vida? Dá vontade de perguntar: "BROW! Eu escravizei voce? Meu pai escravizou o seu?" Ah. Droga! Meus bizavós vieram pra ralar nas lavouras igualzinho eles. Infelizmente - e não tenho como mudar isso e não é dinheiro que vai mudar a história - ninguém perguntou aos negros se eles queriam vir pra cá. Mas que enfrentaram problemas parecidíssimos quando chegaram aqui, isso sim. Então, como muuuitos, muuuitos outros brasileiros que têm ascendência italiana (entre muuitas outras ascendências, como disse, é uma orgia), me isento absolutamente de qualquer faísca de sentimento de culpa que poderia emergir na minha consiência.

Ah, e também outra coisa: porque a cultura NEGRA, a música NEGRA, a consciência NEGRA são celebrados tão intensamente e nós, os brancos, temos que assistir à tudo, temos que adorar tudo, e ai de nós se fizermos UM comentário de reprovação, nem que seja estética, particular mesmo?

E só pra esclarecer uma coisa aos negros que andam por aí exibindo camisetas "100% negro" em seus peitos: se voce é brasileiro, infelizmente tenho que te decepcionar, porque voce não é cem por cento PORRA nenhuma. E eu, de pele branca, não sou cem por cento PORRA nenhuma. Aliás, todos nós, 181 milhoes de brasileiros, não somos cem por cento PORRA nenhuma! Por isso essas camisetinhas e comemorações me irritam tanto. Grr.

Ah... e agora: cotas para negros. O maior e mais IDIOTA incentivo ao preconceito racial; discorda? Seu pai deixa seu irmão mais novo sair e voce não, e ao tirar satisfação ele te diz "ah, ele pode porque é homem". Isso não te irrita? E se um negro (e, vamos colocar da maneira mais injusta ainda) rico e bem estudado entra na faculdade e você não, e quando vai tirar satisfação, voce ouve: "ah, ele entrou porque é negro!". Isso não vai te revoltar? Como assim, direitos iguais?!

Num país burro, com um presidente IMBECIL, é claro que não poderiam parar pra pensar porque os estudantes de baixa renda (e, reconheço, são em sua maioria negros) não conseguem passar nos vestibulares de universidades públicas. Eles criam cotas e aí está um perfeito REMENDO educacional. Afinal, pra quê melhorar a educação quando se pode criar cotas? Afinal, pra quê melhorar a educação quando se pode conseguir milhões de eleitores deixando a estes uma cesta básica na porta (quando há porta) de casa, com um santinho em cima? Pra quê dá-los um conhecimento que poderia fazê-los pensar que não precisam viver mais na miséria, que os ensinaria a escrever ("umas chatas de umas") cartas ao senhor presidente da república quando não tiverem água pra beber em suas torneiras? Afinal, PRA QUÊ, não é mesmo?

É claro que o presidente parou pra pensar nisso. Ele não é burro, apesar de ter cara e discurso de. Enquanto isso, raças igualmente miscelanadas expõem suas garras e gastam suas vozes (e seus dedos, como eu estou fazendo agora) defendendo cada um à sua maneira, sob seu ponto de vista, coisas que parecem opostas mas na verdade coincidem: o direito de batalhar para vencer na vida.



That's all for today, folks. Ah, e só pra deixar transparente: eu AMO hip hop, jazz, soul, blues e outras preciosidades que são típicas da cultura negra. E considero a pele negra uma pele muito bonita. Enfim. Boa noite.